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Halitose (Mau Hálito)
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           Quem já não passou pela situação desagradável de sentir o mau hálito em outra pessoa e ficar incomodado?
            Realmente esse problema é bem freqüente, mais do que se imagina, e bastante constrangedor, tanto para a pessoa que sente o “mau cheiro”, quanto para a pessoa portadora do mau hálito.
           Halitose ou mau hálito é a exalação de odores desagradáveis oriundos da cavidade bucal. Conhecido popularmente como “bafo de onça”.
          Atualmente sabe-se que 30% da população mundial é acometida pelo mau hálito e no Brasil estima-se que 50 milhões de pessoas sofram desse mal.
          O portador do mau hálito, na maioria das vezes, não percebe que o tem, pois com o tempo acaba ocorrendo uma fadiga olfatória, ou seja, há uma adaptação das células sensoriais olfativas e a pessoa se “acostuma” com o odor desagradável.
          O indivíduo que sabe que tem mau hálito se retrai e se isola passando a ter um problema social. Já as pessoas que não percebem que tem mau hálito, muitas vezes passam a serem evitadas  em seu convívio social,  sem saber exatamente o porquê.
          Na verdade podemos dizer que 100% da população possui halitose fisiológica, que é o cheiro ruim na boca ao acordar, mas esse odor deve passar ao escovarmos os dentes e nos alimentarmos.
         A halitose fisiológica ocorre porque ao dormirmos diminuímos a produção de saliva, e uma das funções da saliva é a de ser um agente de limpeza na cavidade bucal, carreando as bactérias da boca. Então, com a diminuição de saliva, acontece um maior acúmulo de bactérias sobre a língua, bochechas e dentes durante o período do sono.
         O que não é normal é o mau hálito persistir durante o resto do dia!

            Nesse caso os motivos podem ser de inúmeras origens, existem cerca de 50 causas diferentes. As mais comuns são:  

             Saburra lingual: é responsável por 90% dos casos de halitose, caracterizando-se pela formação de uma placa no dorso da língua formada por bactérias, restos de alimentos e células da cavidade bucal. Essa colonização de bactérias gera, pelo seu metabolismo, a fermentação de resíduos e a produção de gases, entre eles o gás sulfídrico que dá o famoso cheiro de “ovo podre”.
           A prevenção da formação de saburra consiste na higienização da língua, que poderá ser feita com a escova de dentes, com o“limpa língua” (Fig. 1) e até mesmo com uma colher de sobremesa (reservada só para essa função).
           Vale salientar que a boca é a porta de entrada de muitos microorganismos, entre eles os causadores de doenças pulmonares, gastrintestinais, amigdalites e doenças periodontais. Esses microorganismos poderão se instalar na cavidade bucal se não tivermos hábitos adequados de higiene e também uma dieta saudável.

            Problemas dentários: presença de cáries, próteses mal adaptadas e dentes quebrados que facilitam o acúmulo de placa bacteriana e posterior fermentação desses produtos.

            Doenças da gengiva: representam 32% das causas, ocorrem pela presença de tártaro ou placa bacteriana, tem como sinal principal o sangramento da gengiva. O sangramento gengival pode sinalizar a presença de gengivite ou periodontite. Na gengivite ocorre a presença de uma coloração avermelhada e edema (inchaço) na gengiva.  

            A periodontite é uma doença onde existe o comprometimento dos tecidos de sustentação dos dentes (gengiva, osso e ligamento periodontal). Nos casos mais avançados, os dentes começam a “afrouxar” (apresentam mobilidade) e o tratamento deve ser feito o mais breve possível, para evitar maiores complicações do quadro infeccioso.

             Diminuição de saliva: muitas vezes provocado por stress, uso de alguns medicamentos e tratamento com radioterapia. Com o envelhecimento ocorre uma diminuição fisiológica do fluxo salivar.

             Infecções das vias respiratórias: amigdalites, sinusites e rinites.

            A inflamação das amígdalas pode provocar maior formação de muco, o qual ao se depositar na parte posterior da língua facilita a formação da saburra lingual, pois fornece nutrientes para as bactérias que se instalam no dorso da língua.
Nos casos de rinite e sinusite ocorre um gotejamento de secreções na região posterior da língua, através da fossa nasal, que entram em contato com as papilas da boca, alimentam as bactérias e provocam odor desagradável.           
           A presença de amígdalas caseosas, que é uma alteração anatômica, é um fator bastante importante a ser considerado, devido ao fato de haver um acúmulo de alimentos nessa região e posterior fermentação desses alimentos pela presença de bactérias, ocorrendo em conseqüência,  a exalação de gases sulfurosos. O indivíduo percebe com freqüência a presença de “bolinhas brancas malcheirosas na boca”.

          Problemas estomacais: por muito tempo o estômago foi considerado o grande “culpado” dos problemas de mau hálito, mas na verdade representam apenas 1% das causas. O mau hálito de origem estomacal está relacionado mais com eructação gástrica (arroto) ou refluxo gastro-esofágico.

         Problemas sistêmicos: Em casos como diabetes e jejum prolongado a halitose é causada pela alteração do metabolismo e queima de ácidos graxos causando a produção de produtos cetônicos que modificam o hálito
             Existem outros fatores de origem sistêmica que podem desencadear o mau hálito, pois de alguma forma alteram o metabolismo do corpo, tais como a falta de ingestão de líquidos, a presença de neoplasias e a prisão de ventre.
            Enfim, a halitose pode ser considerada como um sinalizador de que algo no organismo não está bem, a partir desse alerta devemos investigar de forma multidisciplinar o indivíduo para que possamos chegar ao diagnóstico. Nesse momento é de fundamental importância a integração entre as áreas médicas e odontológicas para que possamos avaliar o indivíduo na íntegra, podendo desta forma ter uma visão geral de como está a sua saúde.
            Mas cuidado, existem pessoas que tem halitofobia, ou seja, pensam que tem mau hálito e desenvolvem uma neurose. O ideal é consultar um cirurgião dentista especializado e fazer um correto diagnóstico.
 

 

C.D. Maria Edviges Wypyszynski da Costa

Especialista em Periodontia pela APCD Bauru - SP