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A criança e a construção da sua sexualidade
     A temática da sexualidade infantil, ainda hoje, traz dificuldades na educação das crianças. Há sempre uma aura de inocência e recato ao falar-se sobre questões sexuais no desenvolvimento infantil, com uma crença subjacente de que ao falarmos sobre este assunto despertaria idéias, curiosidades e práticas alheias às crianças.
     A sexualidade é um dos elementos constituintes da condição humana. A criança está sempre atenta ao mundo que a cerca e às reações que seu corpo desperta. Tende a absorver o que dizem e o que fazem os adultos que a rodeiam sobre determinado assunto, inclusive a sexualidade. O temor adulto que, geralmente, busca evitar a exploração do corpo pela própria criança. O importante é a orientação e não a negação dessa busca.
     Orientação é diferente de repressão. Quando nos referimos ao campo da sexualidade, a orientação significa possibilitar à criança, que reconheça seu corpo como um todo, sem nomes ou apelidos para os genitais, por exemplo. Essa prática, em geral, aguça a curiosidade da criança quando essa percebe que todos os órgãos recebem nomes aceitáveis e os genitais, apelidos estranhos. Pintinho, pepeca, titi, bilau são indicativos de zonas proibidas para a fala aberta, e, na cabeça da criança, para questionamentos ou indagações para os adultos. Isso funda uma crença de que algo não pode ser questionado ou que há algo diferente nessa região. A criança tende a fazer descobertas sozinhas e, por vezes, temerosas, sobre seu próprio corpo. Tocar em algo que lhe dá sensações gostosas, mas ao mesmo tempo não possa compartilhar com os adultos, em geral, desenvolve uma sensação de culpa. Essa sensação de querer, mas não poder, muitas vezes, acaba sendo a base para o desenvolvimento sexual genital na vida adulta. É importante ressaltar que sexualidade não é sinônimo de genitalidade. A sexualidade engloba o campo das relações, sensações e afetividades da genitalidade, que aparecerão na adolescência e nos acompanhará por toda a vida adulta. 
     Quanto maior for a liberdade de expressão sobre a sexualidade, maior será a capacidade da própria criança em desenvolver conceitos saudáveis sobre as suas relações afetivas e sexuais no futuro. O adulto, que cerca a criança, servirá de base para essa formação. A atual geração de pais e educadores, em sua maioria, não tiveram essa formação sexual no seu próprio desenvolvimento, o que gera temores e angústias no repasse aos filhos. Seus temores, de não saber o que dizer, é similar ao da criança que não recebe resposta. Uma mentira ou uma desconversa acabam por deixar a criança mais confusa. Prefira sempre responder o que você sabe, de maneira clara e simples. Se a criança tem curiosidade é porque algo ao redor lhe despertou isso e ela confia em você para responder. Se você não sabe, pesquise e compartilhe com a criança. Sua ação sincera de busca de respostas e sua preocupação em responder claramente, firmarão os laços de afeto entre vocês. Com isso, o máximo que você incentiva é uma relação de confiança e segurança entre a criança que indaga e o adulto que a acolhe, e isso, dura para toda a vida...