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Formação da personalidade
Influências familiares, genéticas e o livre arbítrio


    Em se tratando de seres humanos as crianças são um universo a parte.
    Em minha opinião, trabalhar com elas exige do profissional da psicologia um excelente conhecimento técnico sobre o desenvolvimento infantil em seus aspectos psíquicos e fisiológicos. Também, uma ‘sintonia’ especial que, entre outras vantagens, acesse com mais rapidez seus enigmas interiores encurtando o tempo do tratamento, além de oferecer aos pais e professores orientações para melhorar a convivência e a administração da problemática.
    O período estimado para a formação da personalidade é de mais ou menos 5 anos de idade. Nesse período uma criança passa por muitas situações e mudanças que além de serem intensas e diversificadas ocorrem num espaço muito curto de tempo.
    As crianças aprendem muitas coisas com os pais e ou substitutos: caminhar, falar, desenvolver hábitos (higiene, sono, alimentação, etc). Conhecem os seus semelhantes e estabelecem maneiras de se relacionar com eles, bem como com os animais distinguindo seus nomes, características, formas, etc.
    Em tudo o que fazem e dizem elas podem interagir e ou serem meras expectadoras do desenrolar de eventos normalmente recheados de   imagens, sons, sentimentos, críticas, julgamentos, sentenças, valores, etc.
    Usando de uma definição em linguagem figurada na tentativa de explicar de uma forma mais simples a formação da personalidade de um indivíduo, costumo compará-la ao ‘alicerce’ de um prédio em construção. Quanto maior a qualidade dos materiais a serem utilizados junto a uma mão de obra adequada, mais forte será esse ‘alicerce’ diminuindo os riscos de rachaduras e danos na sua estrutura.
    Diante de possíveis abalos esse ‘alicerce’ terá uma melhor resistência  e em contra partida o indivíduo terá aumentada às chances de minimizar as seqüelas do problema.
    Porém, devemos ter em mente que, a cada dia e por toda a nossa vida  estamos em constante aperfeiçoamento, descobrimento e amadurecimento fazendo do lema ‘vivendo e aprendendo’ a mais pura verdade. Estamos em constante ‘lapidação’.
    Vários são os fatores que contribuem para essa formaçã desde as condições de concepção, gestação e parto associadas às experiências  vividas no dia-a-dia durante esses 5 anos fazendo dessa etapa do desenvolvimento algo extremamente importante, não sendo difícil imaginar que deixe marcas como uma ‘tatuagem’ subjetiva que carregamos por toda a nossa vida.
    E nas questões relacionadas com a bagagem genética, então? Que também se somam a esses fatores na formação da personalidade?
    Quando temos um filho(a) eles já nascem com uma espécie de ‘mala’ cheia de peculiaridades conhecidas e desconhecidas e que não se limitam apenas às observadas nos pais e nos avós. Nessa ‘mala’ estão contidas,  também, as doenças da mente e do corpo dos nossos antepassados que, às vezes, vão se anunciando aos poucos pegando muitos pais de surpresa.
    Hoje já sabemos que muitas patologias, entre elas a depressão, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), alcoolismo e tantas outras, têm um correspondente genético bem expressivo fazendo com que as vivências anteriormente citadas e os demais fatores que contribuem para a formação da personalidade tenham, por vezes, uma contribuição praticamente indireta. Nesse caso, o profissional da psicologia trabalha com as implicações psíquicas, com as conseqüências da patologia, não com a sua causa.
    Uma das vantagens que os pais têm encima desse conhecimento prévio sobre as questões ligadas a genética familiar é a de ficar em alerta e tomar providências em tempo hábil, evitando assim que muitas patologias   cronifiquem e com isso aumentem as complicações e possíveis seqüelas.
    Á medida que a criança cresce necessitando de educação, limites, afeto etc, elas vão aos poucos sedimentando esse aprendizado até chegarem à adolescência, onde para mim, ocorre a primeira grande crise existencial de um indivíduo.
    Somado a tudo o que já foi falado e mais as mudanças processadas nessa nova etapa do desenvolvimento, que passam por alterações hormonais, fisiológicas, psíquicas, etc. Mudanças na convivência que colocam em cheque os valores morais, éticos etc, incorporados até aqui, fazendo desse conjunto uma etapa complexa e temerosa para a maioria dos pais. Dá-se  para o adolescente uma verdadeira ‘revolução’ interna e externa.
    E onde entraria o livre arbítrio? O livre arbítrio nada mais é do que um indivíduo poder optar; fazer suas próprias escolhas assumindo os riscos e as conseqüências dos seus atos, o que para muitos pais é experimentado com muito sentimento de culpa.
    Procuro orientar os pais que permitam aos filhos dentro da política do aceitável (não correr risco de morte), fazerem esse movimento de assumir as conseqüências das próprias ações, sob pena de que  tenham um filho(a) imaturo, infantil e totalmente despreparado para as questões ligadas a realidade.
                                           
   Denise M.C. Rodrigues
   Psicóloga Clínica, Neuropsicóloga e Escritora