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Rinoseptoplastia

O termo Rinoseptoplastia refere-se a realização simultânea da septoplastia,  onde o cirurgião trabalha as estruturas internas do nariz, com a rinoplastia, onde se abordam as estruturas de cartilagem, pele e osso que compõem  a porção externa do nariz.

A rinoseptoplastia é a cirurgia realizada para corrigir defeitos funcionais, ou seja aqueles que prejudicam o funcionamento normal  do nariz, associada à correção de problemas estéticos que venham a provocar desarmonia entre o nariz e o restante da face.

Para um melhor entendimento do tema, vamos abordá-lo de forma separada, falando primeiro sobre o que diz respeito à função e depois à estética.

O interior do nariz divide-se em dois compartimentos através de uma estrutura osteocartilaginosa, chamada septo nasal.  A cada lado do septo, ou seja,  em cada compartimento nasal, encontram-se elementos que servem às diversas funções nasais, tais como controle da pressão, limpeza, umidificação e filtração do ar que penetra nos pulmões.

Basicamente, existem três elementos fundamentais para  que ocorra uma respiração nasal adequada. O septo nasal, os cornetos nasais em conjunto com a mucosa que recobre toda a parte interna da cavidade nasal e a válvula vestíbulo-nasal.

Sempre que o septo encontra-se deformado de forma significativa, seja por problemas congênitos ou adquiridos, tais como traumas ou enfermidades nasais, vai influir sobre os outros fatores, causando problemas respiratórios.

O septo nasal, quando fora de sua posição normal (Fig. 1), faz com que uma cavidade seja de tamanho diferente da outra, ou altera o funcionamento da válvula vestíbulo nasal, o que vai gerar um gradiente de pressão diferente entre os dois lados.

O organismo por sua vez, responde a estas mudanças  de pressão . Como não pode aumentar a cavidade que está menor, aumenta o tamanho dos cornetos nasais do lado maior, equalizando a pressão de ambas cavidades. Isto explica porque, apesar de o desvio de septo estreitar um lado das cavidades nasais, o paciente vai ter dificuldade respiratória em ambas narinas.

Esta obstrução por sua vez, repercute em todo organismo, levando a problemas  tais como distúrbios do sono, ronco noturno com apnéia, predisposição aumentada para infecções rinosinusais( sinusite), tosse crônica e piora de pacientes asmáticos, além de repercutir de modo significativo na qualidade de vida.

 
Para corrigir estes problemas, o cirurgião vai trabalhar remodelando e reposicionando a  porção cartilaginosa do septo e removendo porções ósseas  que estejam causando obstrução.

A cirurgia é toda feita através de uma incisão na porção interna do vestíbulo nasal, totalmente invisível, já que não é necessário cortar a pele.

Como complemento, em praticamente todas as cirurgias de septo, são realizados procedimentos sobre os cornetos nasais, já que estes sempre encontram-se alterados, pelos motivos expostos acima.

Não é necessária internação hospitalar para esta cirurgia, a não ser que haja outra doença concomitante. Também não se usam mais tamponamentos nasais, sendo que o paciente já sai da cirurgia respirando pelo nariz, a não ser, é claro, em casos complicados em que possa haver risco de hemorragia no pós-operatório.

Quanto à estética nasal, os motivos que levam o paciente a submeter-se a uma cirurgia são os mais variados. O próprio desvio de septo pode levar a uma aparência sinuosa do nariz (Fig. 2), sendo necessária a correção simultânea dos dois defeitos para obter-se um melhor resultado.

Outros motivos são àqueles que se manifestam como seqüelas de traumas em qualquer idade, características genéticas ou características próprias de cada pessoa que não estejam em acordo com a aparência desejada, já que o conceito de beleza varia muito, segundo uma série de parâmetros pessoais ou culturais.

 Para realizar a cirurgia estética, o cirurgião trabalha nas estruturas externas do nariz, através de incisões realizadas no interior do mesmo. Eventualmente, nas chamadas rinoplastias abertas, é necessária uma pequena incisão na porção anterior do nariz, a qual torna-se inaparente após algum tempo.

 O trabalho cirúrgico é feito sobre o dorso e a ponta nasal, visando harmonizar estes segmentos. (Fig 3)

O planejamento deverá ser feito de forma individual para cada caso, de acordo com as alterações encontradas, e sempre de comum acordo entre aquilo que o paciente deseja e o que a cirurgia pode oferecer.

 Após o planejamento, a cirurgia pode remover imperfeições ou retificar o  dorso nasal, harmonizar pontas nasais globosas ou assimétricas, diminuir ou aumentar o nariz como um todo, seja através de remoção de tecidos ósseos ou cartilaginosos, seja através de enxertos de cartilagem do septo nasal ou de cartilagem da orelha do próprio paciente.  Enfim, a tática cirúrgica vai depender da finalidade da cirurgia, contando-se modernamente com um grande arsenal de recursos e técnicas para que se obtenham  resultados cada vez melhores.

 O resultado final da cirurgia, será aquele obtido após aproximadamente 3 a 6 meses  da mesma, já que existe reabsorção e reposicionamento de tecidos durante todo este período. Isto deverá ser previsto pelo cirurgião, evitando ressecções muito amplas o que poderá resultar em prejuízo da função e mesmo da estética do paciente após este período.

 Ao final deste intervalo, faz-se uma avaliação para verificar se ambos, paciente e médico, estão satisfeitos com o resultado.

 A cirurgia pode ser realizada sob anestesia geral ou local assistida (com a presença de um anestesista) e não necessita internação.

 O curativo é realizado com micropore ( um adesivo fino sobre o nariz) e aquaplast         ( gesso plástico), os quais são retirados entre 7 e 10 dias após a cirurgia. Como na septoplastia, não é necessário o uso de tamponamento nasal.

Como comentamos no princípio, quando houver necessidade de corrigir defeitos funcionais, sejam no septo, cornetos ou nos seios da face, associados a cirurgias estéticas, o ideal é que sejam realizadas em um mesmo ato cirúrgico evitando mais de um procedimento cirúrgico e obtendo resultados mais harmônicos.

Luiz Carlos Alves de Oliveira
Otorrinolaringologista
CRM 10202

 

 

Artigo publicado na:
Revista Feedback