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Dente do siso de baixo

É muito comum jovens na faixa etária dos 16 aos 22 anos procurarem seus dentistas para solucionarem problemas de dor na irrupção (nascimento do dente na boca) dos sisos. Este fato pode ser explicado principalmente pela dificuldade que este dente encontra ao irrupcionar na cavidade bucal. Esta dificuldade pode ser explicada pela má posição deste dente nos maxilares dos pacientes, bem como a falta de espaço para a irrupção deste dente, devido ao tamanho da arcada dentária (osso) ser menor que o tamanho dos dentes presentes na boca dos pacientes. E como o siso é o último dente a se formar entre os dentes do paciente, consequentemente também será o último dente a irrupcionar na cavidade bucal, apresentando maior dificuldade em encontrar espaço na boca dos pacientes (figura1a), pois todos os outros dentes provavelmente já estarão irrupcionados.

Desta forma é bastante comum que estes dentes fiquem parcialmente ou totalmente embaixo da gengiva (incluso ou semi-incluso), muitas vezes presos atrás dos segundos molares. Esta situação dificulta a higienização desta região devido à presença de tecido gengival (figura1b), que propicia o acúmulo de alimentos e formação da placa bacteriana, acarretando um quadro clínico bastante doloroso ao paciente, denominado pelos dentistas de pericoronarite (inflamação da gengiva ao redor do dente). Esta situação é bastante dolorosa ao paciente, podendo trazer edema (inchaço), celulite (formação de pus), trismo (dificuldade de abrir a boca).

Também é muito comum aparecer nos exames radiográficos de rotina terceiros molares inclusos, onde muitas vezes o paciente nem apresentava conhecimento de ter estes dentes. Nestes casos também ao longo do tempo, os sisos poderão trazer complicações ao indivíduo, como cárie, reabsorções das raízes dos dentes vizinhos, formação de lesões patológicas (cistos, tumores, etc.), nevralgias (dores) e apinhamentos dentários.

A melhor forma de tratar todos estes problemas é através da prevenção dos mesmos, ou seja, removendo a sua etiologia (causa), através da extração do terceiro molar. Na atualidade, uma das técnicas recomendadas é a extração precoce destes dentes, que seria a “germectomia”, extração do dente na fase de germe (figura 2), onde a raiz ainda não está formada, aproximadamente dos 9 aos 18 anos de idade, dependendo do desenvolvimento radicular dos dentes de cada paciente.

As principais vantagens em realizar está técnica seriam:

- Ausência de raízes do dente a ser extraído, facilitando a extração do elemento dentário. Em pacientes adultos as raízes podem ser grandes e estarem dilaceradas (tortas), ou fusionadas (unidas), ou anquilosadas (grudadas no osso), o que dificultará bastante a cirurgia.

- Menor quantidade de osteotomia (remoção de osso) na região operada, pois nesta fase o dente se encontra mais alto em relação ao osso do paciente.

- Menor risco de parestesia (ausência de sensibilidade) do nervo mandibular. Devido a posição elevada do dente e a ausência de raízes, aumenta a distância entre o germe e o canal mandibular.

- Maior elasticidade do osso. Pacientes jovens apresentam o osso mais mole, diminuindo a possibilidade de fraturas das raízes dentárias e osso mandibular.

- Cicatrização por primeira intenção. O cirurgião dentista consegue suturar (fechar) a gengiva em cima do local onde o dente foi extraído, dificultando a entrada de alimentos no local operado, diminuindo a probabilidade do paciente ter infecções pós-cirúrgicas (alveolite), situação bastante dolorosa ao paciente.

- Reparação mais rápida. Pacientes jovens apresentam maior capacidade de reparação do que pacientes idosos.

            Como desvantagem a germectomia teria como dificuldade o fato de convencer a criança ou adolescente, e até mesmos os pais do paciente, a receber um ato cirúrgico.

            É interessante lembrar, que para o paciente extrair precocemente os sisos é necessário ser avaliado por um ortodontista, para verificar a possibilidade de exclusão destes dentes em possíveis tratamentos ortodônticos.



Carlos Alberto B. Escobar
Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
CRO 9608/RS
Figura 1
Figura 2
Figura 3